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Diversidade é sinônimo de inovação e resultado

Empresas com maior diversidade de gênero têm 15% mais probabilidade de ter um desempenho financeiro superior ao daquelas repletas apenas de homens. Já as companhias com maior diversidade étnica possuem 35% mais chances de deixarem economicamente para trás as concorrentes menos plurais.

Os dados, levantados numa pesquisa da consultoria McKinsey, foram apresentados no seminário “Diversidade e Inclusão Como Motor da Inovação”, promovido pela Chambers, em parceria com o escritório Veirano Advogados, na terça-feira (9/5), em São Paulo. O evento abordou questões de gênero, cor, LGBT, pessoas com deficiência e também de idade, dado o envelhecimento da população.

Em sua fala, a representante jurídica do JP Morgan Brasil Patrícia Giglio, apontou as razões para este salto de performance. “ Uma sala com dez pessoas de estilos diferentes vai chegar a um produto mais inovador do que uma sala de reunião com dez homens brancos, heterossexuais que estudaram nas mesmas universidades”, disse.

Na apresentação do evento, a advogada Rosângela Delgado, sócia do Veirano, destacou que uma alteração de posicionamento das empresas em relação à diversidade tem provocado mudanças nos escritórios também. Segundo ela, muitas companhias têm exigido iniciativas de promoção e respeito à diversidade como critério de contratação das bancas, o que tem tido impacto efetivo nos escritórios.

Já Deborah Vieitas, CEO da Câmara Americana de Comércio (Amcham), apresentou a Cartilha da Diversidade, criada pela Câmara Americana de Comércio para divulgar materiais aos interessados em iniciar o processo de maior diversificação no ambiente de trabalho.

Na avaliação da CEO, a mensagem principal da cartilha é que “não precisa de dinheiro para fazer essas mudanças, e sim de comprometimento”.

Ainda acuados

De acordo com Alessandra del Debbio, diretora jurídica da Microsoft Brasil, 61% dos profissionais LGBT ainda escondem sua orientação sexual no ambiente de trabalho. Grupos de discussão sobre o tema dentro das empresas ajudam os profissionais a se sentirem mais incluídos e a participarem, efetivamente, da definição das ações da companhia em relação ao assunto.

Além disso, segundo ela, é necessário atrair e recrutar profissionais da periferia e negros para conseguir alcançar uma verdadeira diversidade. “Só conseguimos encantar os nossos clientes e consumidores se tivermos representatividade dentro das empresas”, afirmou.

A diretora da Microsoft também listou as principais ações que uma empresa deve fazer para começar a ter um ambiente de trabalho inclusivo. Alguns passos importantes são: criar comitês com representantes responsáveis pelo tema, definir um posicionamento da empresa sobre o assunto, realizar diagnósticos depois de ouvir as pessoas e traçar um plano de ação para definir os profissionais que serão responsáveis sobre a causa.

Bom exemplo

De acordo com Renata Garrido, diretora jurídica da Procter & Gamble Brasil, a empresa conseguiu aumentar a diversidade dentro do ambiente de trabalho a ponto de metade dos cargos de direção serem ocupados por mulheres.

Garrido também contou que a Procter & Gamble aposta na contratação de profissionais que não estudam nas melhores faculdades, mas possuem vontade de aprender e trabalhar. “Essa experiência realmente está funcionando”, afirmou.

Segundo os palestrantes, o aumento da diversidade em empresas depende do investimento em educação e treinamento dos funcionários e, principalmente, do apoio da presidência da empresa.

O compartilhamento das ações com outras empresas, por meio de eventos e seminários, também pode ajudar na implementação de políticas que favoreçam grupos minoritários. Também é essencial o investimento em treinamento e educação dos representantes da empresa. A boa notícia, na visão de Deborah, da Amcham, é que as empresas estão mais atentas à importância deste tema.