Envie este conteúdo por email

Notícias e Publicações

Hotéis do Rio abrem as portas para o carioca

Quarto temático da Mulher Maravilha, shows de jazz com vista para a Baía da Guanabara, benefícios para ‘vizinhos’, festivais gastronômicos, parcerias com marcas premium. E descontos, muitos descontos. Num esforço para driblar a crise, a hotelaria do Rio está fazendo um open house para os cariocas.

É o desfecho de um casamento infeliz entre a expansão da oferta de quartos da cidade — que dobrou para 62 mil unidades —e a recessão. Em maio, a ocupação média nos hotéis da capital foi de 38%. Na Barra da Tijuca — endereço da maior fatia dos novos apartamentos — foi de parcos 23%, segundo dados preliminares da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH-RJ).

— No Rio, além da recessão, há efeitos negativos da quebra das empresas de Eike Batista, da crise no petróleo e da situação fiscal do estado. Com a maior oferta, ocupação e receita dos hotéis despencaram. Daí o esforço para gerar receitas complementares — explica Alfredo Lopes, presidente da entidade, destacando o esforço para construir um calendário de eventos e ações em parceria com o poder público para reativar o turismo.

A ocupação dos hotéis do Rio encerrou 2016 em 58%, ante 72% dois anos antes.

— Já há hotéis de destaque em que um terço da receita vem de eventos de gastronomia e música. Houve expansão forte na oferta. Agora, os hotéis estão de pé e têm de buscar uma alternativa — conta Raphael Moreira, sócio da área de imobiliário do Veirano Advogados.

Promoção no fim de semana

É o caso de dois hotéis que abriram para Olimpíada, o Prodigy Santos Dumont, vizinho ao aeroporto, e o You2 Botafogo. Ambos aproveitam a vista privilegiada para atrair visitantes.

— Depois da Olimpíada, foi um desafio manter a ocupação. Pela proximidade com o Santos Dumont, temos demanda de tripulantes de companhias aéreas e de eventos, com ocupação de 65% a 70% — diz Carlos Marin, diretor operacional da GJP Hotels & Resorts para o Sudeste.

O Prodigy criou um happy hour com show de jazz no rooftop (cobertura), de carona na vista do prédio colado à Marina da Glória, às quintas-feiras. Depois, passou a acontecer também às sextas. Há dois meses, saiu a Super Quinta, uma tarifa promocional divulgada às quintas-feiras, de carona na agenda cultural da cidade. A proposta é usar o preço reduzido para estimular a extensão da estada ao fim de semana.

— A área de alimentos e bebidas já equivale a 30% a 35% da receita do hotel — conta Marin.

A advogada carioca Hilda Márcia Eyer já é frequentadora do happy hour:

— É um programa de excelente custo/benefício. Oferece gastronomia de qualidade e segurança, que falta nas ruas hoje, além da vista linda.

Outro rooftop badalado é o do You2, com festas com DJ sextas-feiras e sábados.

—No rooftop, 70% dos frequentadores são cariocas. Temos descontos de 10% em nosso restaurante para quem trabalha nos arredores e já estudamos uma tarifa especial para cariocas, que são 10% da ocupação no fim de semana — destaca o gerente-geral Felipe de Castro.

A estratégia é vista como geradora de receita agora e garantia de maior ocupação lá na frente:

— O turismo funciona em ciclos. Vivemos uma situação em que é preciso trabalhar para equilibrar as contas, reinventar o negócio, criando novas demandas. Se não há o executivo ou o turista estrangeiro chegando, desenvolvemos atrativos para trazer o brasileiro e o próprio carioca. Ele prova do serviço oferecido e, se gostar, vai recomendar a parentes e amigos —explica Klaus Ziller, gerente do Hilton Barra.

O hotel criou, por exemplo, o Clube Sou Vizinho, que garante descontos e benefícios para quem mora em Barra, Recreio ou Jacarepaguá. Em um mês e meio, já tem 350 associados. Eles pagam menos em programas como a feijoada do hotel ou mesmo por um day use, que dá direito a usar as facilidades do hotel por um período. A demanda pelo café da manhã no fim de semana subiu 35%.

— Existe um desequilíbrio entre oferta e demanda. Na região da Barra, há hotéis com ocupação inferior a 5%. Fizemos um estudo que mostra que a ocupação dessa região ficará pouco acima de 30% até 2021 — diz José Ernesto Marino Neto, da consultoria BSH International.

Na Barra, os hotéis encontraram um filão de cariocas interessados num fim de semana perto de casa, mas com mordomias e lazer. É estratégia de guerrilha sobretudo para hotéis localizados nos arredores do RioCentro, onde a taxa chega a 3%.

O sofisticado Grand Mercure RioCentro, da Accor, não comenta dados de ocupação. E trabalha para aquecer a demanda. Paella aos sábados e feijoada aos domingos estão entre os atrativos. Desde quinta-feira, tem um quarto decorado da Mulher-Maravilha, a megabilheteria do momento. Em dois dias, teve mais de 40 reservas. Juntas, essas ações garantem 12% do faturamento. Outro estímulo é a tarifa de fim de semana a R$ 289 para duas pessoas.

O Miramar, da Windsor, em Copacabana, deu as mãos à The Beauty Box, multimarcas de perfumaria e cosméticos, para o Dia dos Namorados. É ação para impulsionar lançamento de um novo perfume da Lancôme, a ocupação e a área de gastronomia.

No Centro, a programação cultural é a âncora. No português Vila Galé, na Lapa, concertos musicais costumam lotar. Quinta-feira é noite de jazz, sábado tem feijoada e domingo, bufê de comida portuguesa. No Soft Inn, unidade da BHG no mesmo bairro, destaque para o hóspede do Rio:

— No fim de semana, cariocas que vêm para a noite da Lapa se hospedam no hotel por segurança, evitando risco de dirigir à noite e a Lei Seca — diz Tomás Ramos, diretor comercial da BHG.

Mudanças de marcas

A BHG é uma das protagonistas do rearranjo que a crise trouxe à hotelaria. Vai passar 26 de seus hotéis para a Accor, em negócio anunciado em março. Mesmo mês em que a Hilton iniciou a operação do hotel adquirido da Windsor, em Copacabana, e que a gaúcha Laghetto assumiu a gestão do antigo Pestana Barra.

— Assumimos o hotel sabendo do desafio. Já reativamos andares que estavam fora de operação, tendo só um fechado. Já chegamos a 36% de ocupação média. Estudamos iniciar eventos — conta Luís Paulo Yamaguchi, gerente de marketing da rede.