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Leilão de energia gera R$ 11,16 bi em investimentos e R$ 44 bi em contratos

O leilão A-6 de geração de energia realizado nesta sexta-feira surpreendeu o setor elétrico. Ao todo, a concorrência gerou R$ 11,16 bilhões em investimentos e R$ 44 bilhões em contratos, que terão durações de 20 a 30 anos. 

Foram contratados 91 novos empreendimentos, que somam uma potência de 3 gigawatts (GW) e 1.702 megawatts médios de garantia física – bem acima da projeção de analistas. 

As usinas começarão a operar em 2025 e fornecerão a nove distribuidoras, que participaram do leilão como compradoras. As que mais adquiriram contratos foram a Light (38,87% do total negociado), a Cemig (15,21%) e a Coelba (11,75%). 

O leilão durou quatro horas e terminou com um preço médio de R$ 176,09 por megawatt-hora (MWh), com um desconto de 33,73% em relação ao preço-teto.

Como já era esperado, os projetos térmicos a gás foram destaque na concorrência. A maior usina contratada foi a de Barcarena, no Pará, que, sozinha, demandará investimentos de R$ 1,5 bilhão. 

O empreendimento é da Golar Power, uma joint venture entre a norueguesa Golar e o fundo norte-americano Stonepeak. A empresa é dona do primeiro terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) privado do país e já tem uma térmica de grande porte, no Sergipe. 

“Temos ressaltado a necessidade de modernizar a matriz, e esse foi o primeiro sinal de térmicas competitivas. É o tipo de usina que os sistema precisa, tanto para segurança nacional como comercial", afirmou Rui Altieri, presidente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que operacionalizou o leilão. 

Outras duas térmicas a gás foram contratadas no leilão: uma da Eneva, no Maranhão, e uma planta da Imetame, na Bahia. Em média, os três empreendimentos venderam a um preço de R$ 188,87 por megawatt-hora (MWh), 35,32% menor do que o valor definido como teto. 

A fonte eólica atraiu a maior parte dos investimentos do leilão: R$ 4,49 bilhões, para contratos com duração de 20 anos. Juntos, os projetos somam 480 MWh de garantia física e 1 GW de potência. O preço médio ficou em R$ 98,89/MWh, deságio de 47,68%. O valor ficou acima do preço registrado nos últimos leilões de geração – no A-4 realizado neste ano, a fonte ficou em R$ 79,9 por MWh e, no A-6 do ano passado, em R$ 80 por MWh. 

A energia solar também ficou em um patamar mais alto do que no último leilão, e fechou com média de preço de R$ 84,39 por MWh, deságio de 59,62%. O projeto mais barato contratado vendeu energia a R$ 84 por MWh. No A-4 realizado neste ano, a fonte havia chegado a uma média de R$ 67,40. O valor deste leilão, porém, ainda ficou menor do que no A-6 realizado no ano passado, quando foi registrada média de R$ 118 por MWh. 

“Com a menor competitividade das renováveis, o novo cenário favoreceu os novos projetos de geração a gás natural, uma tendência recente do setor elétrico que parece ter chegado para ficar”, afirma Tiago Figueiro, sócio da área de energia da Veirano Advogados. 

O leilão foi considerado agressivo e com alto grau de competição pelo presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales. 

Hidrelétricas 

Para ele, também chamaram a atenção duas usinas hidrelétricas de médio porte contratadas: de São Roque, em Santa Catarina, e de Tibagi Montante, no Paraná. 

A maior delas é a de São Roque, que foi licitada no passado – à época, pela Engevix – e está em fase avançada de construção. “É um projeto importante, que tinha a expectativa de ser cancelado pela Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica], e que, agora, esse leilão ensejou a oportunidade de contratação”, afirmou Reive Barros, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia. 

Para ele, o sucesso do leilão é uma sinalização para as concorrências programadas para 2020. O plano do governo é fazer, em março, dois leilões para substituir térmicas movidas a óleo diesel por usinas a gás natural, que são mais baratas e menos poluentes. Ainda restam 5 GW de térmicas a óleo diesel a serem substituídas no país. 

A medida é uma forma de baratear a conta de luz, segundo Barros. A térmicas são acionadas como forma de garantir o fornecimento de energia quando há escassez hídrica e queda na geração hidrelétrica, que é a principal fonte da matriz elétrica brasileira. 

Em 2014 e 2015, o despacho dessas térmicas para compensar o déficit hidráulico somou R$ 22 bilhões. “Se tivéssemos térmicas com custos dessa ordem, teríamos gasto R$ 10 bilhões, e não R$ 22 bilhões. Isso significa 6% que foi para tarifa do consumidor porque naquela época não tínhamos térmica eficiente”, afirmou Reive.